Dr. Gregory House, ou um médico português de nome Gregório Casa?O Doutor Gregory House invadiu tão depressa Portugal, como tantos outros pontos do mundo. O seu génio lógico e quase espartano, faz-nos gostar dele, pois apesar de todos os defeitos que tem consegue ser eficaz naquilo que faz. E até tem um sentido de humor sarcástico bastante engraçado. Como acharam que o senhor era positivo, os portugueses não podiam deixar de dizer, que ele é precisamente o oposto de nós, e o que nos fazia falta.
Realmente, tudo nele é diferente do que o Português mais falado pelo estrangeiro é. Ele é frio, e quase cínico. Tem mau feitio, e pensa que tem sempre razão. Até é grisalho e anda sempre com a barba por fazer. E quase sempre, ganha. Realmente ele é completamente diferente do Mourinho. Sim, já cheguei a pensar várias vezes se Hugh Laurie, britânico, se inspirou no Mourinho para alguma da sua interpretação do Dr. House. Felizmente não se inspirou no sotaque por certo.
Mas vejamos o modo de actuar do House, e de um Português típico.
Quando pedem algo ao House que ele não tem vontade de fazer, ele resmunga, e faz as coisas amarguradamente. O português típico, também.
Quando as coisas não lhe correm bem, recusa a aceitar que é por sua culpa, e teima que tem razão. O português típico, também.
Raramente à partida faz o mínimo de ideia sobre a solução para um problema, e vai experimentando coisas, falhando inevitavelmente imensas vezes antes de finalmente acertar. Não vos faz lembrar um bom velho Português?
Será que é assim tão diferente de nós?
Cão que ladra não morde, isso é o que todos dizem, mas não é esse o tema a ser abordado neste tópico, mas sim um tema igualmente quotidiano que, certamente, já nos afectou a todos. Quantos de nós não nos deparámos já com a nossa roupa interior, desagradávelmente, entranhada nas mais reconditas aberturas para o exterior do nosso organismo? Que é como quem diz "Quantos de nós não nos deparámos já com a "cueca enfiada na gaveta?" É verdade é uma situação algo desagradável, por isso é que todos teem o reflexo instintivo de ir lá com a mãozinha e puxar o elástico para fora da zona critica, mas aqui deparamo-nos com um problema. As regras da sociedade em que vivemos não nos permite fazer isso sem mais nem menos, no entanto pode-se sempre adoptar uma estratégia simples, mas bastante eficaz para esta situação, ora aqui vai o procedimento:
Primeiro deve-se verificar a presença de seres nas redondezas e aqui pode acontecer uma de duas coisas, estar alguém ou não estar, se estiver diz-se que estamos a ver um rebanho de pionézes voadores no céu, para distrair a pessoa e enquanto ela olha, realizamos o tão desejado acto de salvação, se não estiver, passa-se logo à acção, mas salvaguardando a presença de algum(a) pedintes, sim porque os pedintes aparecem, misteriosamente, do nada "Quer contribuir com alguma coisa para esta causa tão nobre?"; "Ah não queria, mas também não posso, porque... *Sniff, sniff!* ...herm!" (Ok, eu sei que isto é um pouco mórbido e exagerado, desculpem, passando à frente...)
Mas apesar da nossa sociedade ter esta regra, tal como outras, pode-se sempre argumentar dizendo "Ah! As regras são para ser quebradas!" sim é verdade, mas tirar o elástico e ser avistado por outra pessoa é algo que pode trazer consequencias graves para um índividiuo, tais como serem olhados de lado por toda a gente que soube do sucedido, ouvir o seu nome vindo das bocas mais fofoqueiras da aldeia/vila/cidade, correndo mesmo o risco que sair disparado da boca do Cláudio Ramos na Tertúlia Cor-de-Rosa...
Há coisas que nunca mudam. Outras mudam. Enfim.
O que interessa aqui é que nos deparamos com factos muito graves os quais eu não posso deixar escapar.
Olha, já deixei... fugiram... já vão ali ao fundo, viraram a esquina, atropelaram um cão e desapareceram. Felizmente, na correria da fuga, agarrei o casaco de um deles.
Dentro do casaco, um papel. "Um cheque? Uma nota? Um papel?" pensava eu depois de introduzir a minha mão no bolso da respectiva peça de indumentária. Acertei. Não era um cheque, não era uma nota, era um papel. Dobrado quatro vezes, Azul.
Abri-o. O que dizia lá? "Olá! Sabias que 4 em cada 5 piolhos são imunes aos produtos químicos que usamos para os eliminar? Beijinhos. Golfinho Dourado"
Engraçado. No verso, algo mais simples, alinhado na vertical: "batatas, tomate, queijo, cogumelos, manteiga, iogurtes, Skip, tampões, coca-cola, àgua, sumos de fruta naturais que façam bem à diminuição do colestrol".
A situação dos piolhos é passível de ser ignorada. Mas é grave deixar fugir os golfinhos do Jardim Zoológico, e, pior, deixá-los à vontade para fazer compras no Jumbo. O Jumbo, recorde-se, é um elefante. E os golfinhos nunca gostaram de elefantes. Pelo menos nunca vi dois juntos.
Aqui há uns dias alguém se virou para mim (e digo "virou" porque a pessoa em causa estava nomeadamente de costas) e exclamou com bastante convicção a frase que se segue: “Tu realmente não existes!” e como esta não foi a primeira vez que realmente alguém se dirige a mim nestes termos, entrei em depressão e estou agora perante um crise existencial.
Porque se de facto eu não existo, quem é que todos os dias acorda de manhã sem vontade nenhuma de sair da cama? E quem é que todos os dias se dirige para o local de trabalho para fazer exactamente a mesma coisa do dia anterior? E quem é que todos os dias tem de ouvir a mamã a dizer “Come a sopa!”? (ok, este não sou eu, eu como a sopa sempre até ao fim a mamã aqui em casa só diz frases dentro do género “Não faças xixi nas calças!”, ou mesmo “Não te quero fora da cama depois das dez da noite!”). E, finalmente, quem é que todos os Domingos é obrigado a sofrer com os desempenhos miseráveis da sua equipa de futebol? (Definitivamente, este sou eu…).
Desde pequenino que oiço aqui e ali que "Ninguém é perfeito e que ninguém quer ser Ninguém!", apesar de eu não querer ser Ninguém, devido a estas afirmações proferidas por terceiros, chego à conclusão de que sou Ninguém... assim sendo, sou Perfeito, acabando por ultrapassar a minha crise existencial...
E assim dou por concluída a primeira divagação deste blog!
